quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Vida

Páginas vazias
Vidas vazias
Almas que vagueiam
Sem cessar.

Páginas de Vida
Vidas de Almas
Que nunca param
De querer ser preenchidas.

Um sorriso na esquina.
Um abraço perdido.
Um olhar cruzado.
Uma mão por dar.

Contos que se juntam
A cada passo dado
Nessas páginas vazias
De Almas cheias de Vida.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Leva-me



Leva-me
Leva-me naquela viagem
De balão de ar quente
Lá no alto
Onde posso ver o Mundo
Com os olhos de uma águia.

Leva-me
Naquela viagem
Onde me dás a tua mão
O teu sorriso
E te deixas envolver
Pelo belo laço do amor.

Leva-me
Naquela viagem 
Onde nos tornamos um só
Nos eternizamos no tempo
E no espaço
E simplesmente, somos
Sem nenhum mas.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Os continuadores!

Há muito tempo que não me dedico a este cantinho. A verdade é que a vontade de escrever anda fugida. As palavras têm ficado pelo pensamento, aprisionadas. Quase como uma pessoa querer falar e não conseguir. Ficam lá dentro, guardadas para um alguém/um momento que as irá desbloquear novamente. E não, ainda não será hoje que terão 'voz'. Simplesmente, cruzei-me com este texto num blog e identifiquei-me de certa maneira, que resolvi quebrar o silêncio deste blog:

                           Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'
"Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Chega-se sempre à primeira frase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir. 

Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter. 
Em Portugal quase tudo se resume a começos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. À mínima comichão aparece uma «iniciativa», que depois não tem prosseguimento ou perseverança e cai no esquecimento. Nem damos pela morte. 
É por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores não nos faltam. Chefes não nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Heróis não nos faltam. Faltam-nos guardiões. 

É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte não têm valor — são os fados da animalidade. Procriar é bestial. O que é lindo é educar. 
Estou um pouco farto de revolucionários. Sei do que falo porque eu próprio sou revolucionário. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princípios, não suporto a autoridade. 

É tão fácil ser rebelde. Pica tão bem ser irreverente. Criar é tão giro. As pessoas adoram um gozão, um malcriado, um aventureiro. É o que eu sou. Estas crónicas provam-no. Mas queria que mostrassem também que não é isso que eu prezo e que não é só isso que eu sou. 
Se eu fosse forte, seria um verdadeiro conservador. Mudar é um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, é que é humano. Gosto mais de quem desenterra do que de quem planta. Gosto mais do arqueólogo do que do arquitecto. Gosto de académicos, de coleccionadores, de bibliotecários, de antologistas, de jardineiros. 

Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer. Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. É por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi à sombra dela. 
Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar."

Serei uma continuadora? E como saber se continuar faz realmente sentido?...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sem máscara

'Talvez não sejam os laços de sangue que formam uma família. Talvez sejam as pessoas que sabem os nossos segredos, mas nos amam mesmo assim. Para que possamos ser nós mesmos' 

E apenas isso
...
Sem máscara



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Por todos os caminhos...

Por Todos os Caminhos do Mundo  

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia 
pelo mundo,

por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar 

num jardim nocturno,

ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do oásis,
ora os pés cansados, sem forças para além.

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe 

o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.

Não sei caminhos de cor.

Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Assim é e assim seja!

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Alberto Caeiro

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Hoje!

Hoje
Embalo os meus sentimentos,
Numa melodia,
No pôr-do-sol...

E deixo os meus pensamentos voarem
Para além do horizonte
Numa miscelânea de liberdade
E de loucura inocente.

E naquela onda
Sim, naquela!
Foi a minha alma velejar
Tranquila e inquieta
Num antagonismo harmonioso.

Hoje
Embalo os meus sentimentos
Numa caixinha
Bem aconchegados
E dou-os a ti...


E hoje deixo-vos com uma musiquinha de um talento português :)